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Alma de um VagaMundo

quarta-feira, julho 19, 2006

Dolce Vita 



Há quem pense que uma refeição de peixe cru só se for sushi. Mas esta realidade está longe de ser única no mundo.

Após 15 horas de aeroportos, escala, voo transatlântico e comida de aviões (onde a fome nos visitou no seu sentido literal), impunha-se uma decisão: cair numa cama vítimas do jet-lag ou calcorrear Lima à procura duma refeição merecedora desse nome.

Estranhos numa cidade estranha, dois turistas percorrem as ruas de Miraflores, um enclave de turismo numa capital sobre a qual os guias alertam para a pouca segurança das ruas.

Partimos na demanda de algo que desse alento ao estômago. O concierge do hotel sugeriu LarcoMar.

Dar com o local não foi complicado… mas foi uma surpresa. É que o bendito centro comercial não estava à vista destes europeus habituados a reluzentes edifícios comerciais que se erguem qual Torres de Babel. Percorrendo a avenida José Larco em direcção ao mar, essa termina numa varanda à beira da falésia com vista para o Pacífico. A surpresa é que aí se esconde, aos olhos dos desprevenidos, o espaço LarcoMar, como uma casa cravada na falésia.

Ávidos por uma refeição típica da região, a nossa opção foi ceviche, ou seja, peixe cru!

Uma selecção de marisco e peixe crus marinados em muito sumo de limão, muita cebola, alguns vegetais que tomamos por salada e um tubérculo doce muito amarelo.

Para o paladar destreinado a primeira garfada é digerida a medo, a segunda para confirmar se afinal é comestível, a terceira para se habituar à novidade e as seguintes para assimilar a refeição. Em simultâneo, acompanhamos com um pisco sour. Mas sobre esta bebida falaremos mais tarde.

Conseguimos identificar todos os ingredientes vegetais, ou quase todos, já que o tubérculo doce amarelo permaneceu uma incógnita. No dia seguinte foi com orgulho que o guia nos revelava que o Peru tinha cerca de 2000 espécies de “papas”. – En la Europa se llama patata. – Ah! Batatas!

O mistério ainda reside face aos bivalves e peixes, uma vez que o nosso paladar de gourmets foi traído pelo ácido do limão. E à saída só pedimos a conta, não a receita.

Anabela Narciso @ quarta-feira, julho 19, 2006

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